domingo, 14 de fevereiro de 2010

A (In)Justiça do Oscar



De fato a premiação mais importante do mundo cinematográfico é, sem dúvidas, o Oscar. Fundado em 1927 em Los Angeles, não é justo sempre, e nem sempre agrada à grande maioria, mas tem um valor inestimável. Traz em sua história aspectos positivos e negativos. Se por um lado o Oscar já provou por muitas vezes ser um certificado de qualidade, além de ser uma grande tônica no markting - convenhamos, você pode não entender nada sobre o assunto, mas saber que um filme teve muitas indicações ao dito cujo já te faz pensar que vale a pena vê-lo. Por outro lado, não se pode levar a sério uma premiação que injustiçou Alfred Hitchcock, o maior diretor de todos os tempos, que nunca levou sequer um oscar. Justo ele que considerava o sucesso de bilheteria diretamente proporcional à qualidade de seu filme. Por esse motivo, buscava como ninguém agradar o público, na época em que fez "Psicose", uma de suas muitas obras-primas, fez questão de comprar todas as cópias do livro do qual a obra foi inspirada, apenas para que ninguém soubesse o final antes de ver o filme. Posso dizer seguramente que não houve ninguém mais merecedor do prêmio. Como se não bastasse a academia ainda teve a ousadia de parabenizá-lo com um prêmio pela carreira, uma espécia de prêmio de consolação eu diria, mas ele disse apenas: -Obrigado. Nunca se conformou por nunca ter ganho. E esse é apenas um dos muitos exemplos pelos quais não gosto do Oscar.

Mas enfim, passado é passado. E ultimamente o Oscar parece estar tentando se redimir, vem premiando mais filmes independentes, de menor bilheteria e maior qualidade. Justo ou não, merece ser acompanhado, e esse ano mais do que qualquer outro teremos a prova definitiva de quem é o Oscar. Dentre os indicados a categoria principal figuram grandes filmes. De certa forma nossa equipe até se dividiu. Alguns consideraram "Bastardos Inglórios" o melhor de ano. Inovador como só os filmes de Quentin Tarantino são. Outros acharam "Guerra ao Terror" o melhor filme de guerra da década e, quiçá, o melhor filme de guerra desde Apocalypse Now. Há ainda quem ache melhor "Amor Sem Escalas" de James Reitman, o jovem diretor que a cada filme se mostra melhor e mais consciente de si. Sem dúvidas ainda veremos grandes filmes do diretor que evolui exponencialmente a cada filme. Temos ainda "Educação", um filme britânico muito pouco falado se comparado com os demais. À primeira vista seria um filme simples, mas eis que somos surpreendidos com uma grande obra, um retrato insólito, despretensioso, e uma visão de mundo poucas vezes vista antes. Mas entre ouros também há cascalho. E foi justamente neste ano que foi às telas um filme que quebraria todas as fronteiras de bilheteria imagináveis. Levou multidões aos cinemas. Faturou como nenhum outro filme já faturou na história. Mérito de James Cameron. Mas se analisarmos a fundo a dita "Obra-prima", o que vemos? Um amontoado de clichês envoltos por uma trama inexistente e temperados com toneladas de efeitos visuais. "Avatar" trata-se do filme mais obliquo e dissimulado da atualidade.
E resta saber, o Oscar fará o que é certo e premiará os merecedores? Ou se renderá ao exército de Cameron e seu velho-novo-mundo?
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Não há nenhum prêmio a ganhar, na verdade. Isso é, se você for abençoado com um olho afiado, uma mente ágil e nenhum escrúpulo. (Alfred Hitchcock)

4 comentários:

Leonardo disse...

Como foi falado no texto, esse ano o oscar vai revelar que tipo de filmes pretende premiar nos proximos anos. Tomara que os melhors filmes sejam premiados, é o que se espera da maior premiação do cinema. E não os maiores publicitarios que só querem arrecadar dinheiro nos cinemas. Nesse caso, estariam Assassinando a 7ª arte.

Isa* disse...

Bom, pra filme concordo que Avatar não deve ganhar mesmo (Bastardos ou Amor Sem Escalas, isso sim). Mas pra diretor, acho que o James Cameron merece sim. O cara fez da vida dele o filme, se envolveu nos menores detalher, pesquisou tudo com o maior cuidado, trabalho muito com transmídia e isso que é ser diretor de verdade, mais do que gritar "ação" e "corta".

Resta saber o que o Oscar nos reserva.

Lauci Lemes disse...

Esse "asco" por Avatar, (me desculpe) as vezes é puro recalque, se liguem o Oscar é ESTADUNIDENSE, e não é feito para o mundo, é premiação para industria "deles" não para a Arte Cinema, é assim e ponto. Só não acredita, quem não quer. E J. Caneron representa essa industria, deu emprego pra uma porrada de gente, em meio a crise (mundial) e apesar de cliche(zaço), tem uma mensagem ecológica tão importante, em epocas de desastre do COP15. Não joguem o filme na vala comum, tem demeritos? tem! Tem meritos? tem também! Duvido que falassem tanto de "Shakespeare in Love" (que tb é bom filme, mas não merecia oscar)

Leonardo disse...

As pessoas se acustumaram com o que está errado. "è assim e pronto". Chamam de iludidos quem ainda fala em como as coisas deveriam ser. Se o oscar é feito pra se ganhar dinheiro, isso não me impede de achar que o justo é premiar os melhores filmes. E nesse caso certamente avatar não seria o vencedor.