terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um Homem Sério (2009)




Confesso que eu estava me roendo de vontade de ver este filme. Não apenas por ser fã assumido dos diretores Ethan e Joel Coen, mas também pelos simples rumores, infundados ou não, de que esta poderia ser uma obra-prima dos tempos modernos. E se eu lhes dissesse que está não só é uma obra-prima como também é um dos filmes mais insólitos dos últimos tempos ? Insólito até para diretores tão “esquisitos” como os irmãos Coen. Pois é, não estou exagerando, blefando ou superestimando. Não Raro vemos filmes que são superestimados demais. Esses sim. Filmes que custam uma fortuna e que, muitas vezes, não passam de um amontoado de clichês envoltos por uma trama inexistente e temperados com toneladas de efeitos visuais. Veja o exemplo de Avatar que se trata do mais obliquo e dissimulado da atualidade. Aqui ocorre exatamente o oposto. Já é fato que o filme dividirá a opinião pública e a crítica especializada em duas vertentes. O final subjetivo do filme deixará algumas pessoas extremamente irritadas, mas aposto todas as minhas fichas nesse filme, que vem a ser o filme mais experimental deles desde “O Grande Lebowski”.
“Um Homem Sério” é o nome dessa comédia dos cultuados diretores. Comédia essa, muito mais séria do que poderia se supor. Em princípio, é impressionante a forma complexa como a ambivalência do filme é arquitetada. Ele não se limita em ser uma simples comédia com um pouco de drama anexado, nem tão pouco um drama com comédia anexada. Não dá para se saber qual das fatias é maior. É como se para cada piada houvesse um momento lírico-dramático em seguida.
No que se refera às premiações, é imprescindível destacar a notória atuação de Michael Stuhlbarg, que se mostra muito versátil nas mais diversas cenas. Além é claro do excelente roteiro, como é tradição nos filmes de Ethan Coen e Joel Coen. Contudo, aviso de antemão que esse filme não é pra qualquer um. Não basta gostar dos diretores, não basta ter gostado de “Queime depois de ler”, última comédia deles. Nem basta ter gostado do sanguinolento vencedor do oscar “Onde os fracos não Têm vez”. Esse é diferente de tudo já feito por eles. Claro que o fato do roteiro ser brilhante,e o humor negro permear a atmosfera do início ao fim, já são figuras constantes nos filmes dos diretores.
Enfim, a obra nos traz a vida de um homem, Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg), aparentemente como qualquer outro, com um trabalho comum, uma família repleta de problemas como qualquer família que se preze. E a partir daí vemos um progressivo obscurecimento e correspondente iluminação dos terrores desse homem. Antes de mais nada, o filme nos mostra a trágica(ou não) história de como um homem chegou à beira de um ataque de nervos, literalmente.
A cena em que Larry tenta consertar a antena parabólica (“capa” do filme) conota uma frustrada tentativa de arrumar não a antena, mas sim sua vida que a cada passo desmorona mais. Cada crença do personagem é colocada em xeque, seja por um conjunto de absurdas coincidências ou seja por uma conspiração sobrenatural do universo, alguns ainda citariam uma ironia do destino, o qual parece ignorar as atitudes sempre politicamente corretas do personagem. O fato é que diante disso, nós espectadores, somos forçados a refletir: seria a vida assim tão caótica?

Um comentário:

Thais disse...

Dr, parabéns pelas sua crítica! Vc escreve muito bem e sobre diretores que eu gosto muito (por enquanto Woody e irmãos Coen)
Não gostei tanto de queime depois de ler quanto dos outros filmes deles, mas vale a pena conferir esse com certeza :P
Aliás, vc sabe quando estreia aqui no Brasil?