sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tudo Pode Dar Certo (2009)



“Tudo pode dar certo” ou “Whatever works” é um filme de Woody Allen, em que o diretor retorna ao seu velho estilo de comédias inteligentes nova iorquinas, que segue o mesmo parâmetro já consagrado de Allen e nos proporciona boas risadas.

O roteiro, fundamenta-se na narração de Boris Yellnikoff (Larry David), um velho rabugento e neurótico que se diz um gênio, e acredita que é o único capaz de compreender o universo, em sua visão não exatamente alegre, mas realista, niilista e até cética. Praticamente um heterônimo do diretor. Dotado de um humor refinado e extremamente ácido, Boris tem sua vida reinventada com a chegada de Melodie (Evan Rachel Wood – que confesso me surpreendeu, diga-se de passagem).

Um aspecto interessante é que o roteiro foi escrito em 1977 pelo próprio Allen, mas acabou arquivado por motivos de força maior, e só então Woody retomou o projeto para nos presentear com essa comédia de primeira linha. Claro que alguns reparos foram feitos para deixar a história mais atual, mas ainda assim é interessante como certos assuntos nunca saem de moda.

O filme inicia com a narração de Boris, conversando diretamente com os espectadores, (um grande acerto do filme), e conforme ele narra, vemos um pouco do aspecto áspero dele, suas visões, suas crenças, e sua personalidade. Até que um dia, Melodie, praticamente o oposto de Boris, burra, ingênua; aparece em sua porta, e lhe pede abrigo por uns dias, ele hesita bastante, mas acaba aceitando. E aos poucos eles vão se conhecendo, e ironicamente todas as ideologias de Boris são colocadas em xeque. E apesar de todas as diferenças, o mais improvável acontece: Melodie se apaixona por Boris e eles se casam.

O orçamento do filme foi de US$ 15 milhões, aproximadamente o mesmo de seu último filme Vicky Cristina Barcelona. Um orçamento grande se comparado a outros filmes recentes do diretor, como Scoop – O Grande Furo e Melinda e Melinda. De qualquer forma, já é aguardado por muita gente e só deve chegar ao Brasil no mês de Março.

Woody Allen já passa de quarenta filmes dirigidos, e com uma média certeira de um filme por ano, algo realmente difícil de se conseguir. É evidente que maior número de filmes acarreta mais erros, e também mais acertos. Não tenha dúvidas que “Tudo pode dar certo” é um acerto.

Enfim, é um bom filme. Não chega a ser um dos melhores do diretor, mas um dos melhores da última década. Por seu roteiro ter sido escrito em 1977, o filme exala uma leve faísca do antigo Woody, aquele de Annie Hall e Manhattan. E diante de tantas reflexões filosóficas, sempre constantes no filmes do diretor, pode-se pensar que haja um certo paradoxo, já que um personagem tão chato como Boris possa originar uma obra tão divertidíssima como aqui descrevo, mas é exatamente aí que está o primor da obra, pois vemos, a partir de sua própria perspectiva, um homem sendo obrigado a conviver com tudo que o contrapõe. É a contramão da contradição.

3 comentários:

Léo Vieira disse...

Fiquei curioso pra ver esse filme. Não gostei muito de Vicky Critina Barcelona. Talvez, também, pq estivesse bem distraído enquanto o via. Tenho quer assistir a ele de novo. rs Bom, gostei desse "Tudo pode dar certo" pelo post. Vou conferir quando estreiar por aqui.

Rodrigo Amaral disse...

Pelo fato do roteiro ter sido escrito em 1977 o filme parece ter a cara dos filmes do diretor dessa época e sai um pouco da fase europeia que ele estava vivendo.
Woody Allen é Woody Allen e sem dúvidas, um dos mais aguardados por mim.

Thais disse...

Eu gostei muito dos filmes atuais dele,incluindo Vicky Cristina Barcelona. porém, assim como o Rodrigo também prefiro os filmes da mais antigos do diretor